O engenheiro que assinou mais de 2 mil projetos | Dimensionou alguns à mão
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MEGA PROFISSIONAL | ENGENHEIRO CIVIL | MILHARES DE PROJETOS | MARIO FRANCO
O Engenheiro Civil Mario Franco, realizava cálculos em pranchetas para dimensionar a sustentação dos prédios mais emblemáticos
Por Apoio Engenharia Civil
Publicado em 07
Publicado em 07
Da prancheta do engenheiro civil Mario Franco saíram cálculos que serviram para sustentar alguns dos prédios mais emblemáticos da metrópole. Desde o primeiro edifício — o icônico Othon Palace Hotel, na Rua Líbero Badaró, no centro, no início dos anos 50 — até o último — a construção ainda em curso do Cidade Matarazzo, próximo à Avenida Paulista —, seu trabalho pôs em pé mais de 2 000 projetos de arquitetos no país. O engenheiro calculista é o responsável por planejar o esboço estrutural da edificação e também por prever as implicações da ação do tempo sobre a obra.
Hoje, aos 90 anos, o professor aposentado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) tem os seus “filhos” preferidos. Nessa seleta relação estão o Centro Empresarial Nações Unidas (na Marginal Pinheiros), o Hotel Unique (na Avenida Brigadeiro Luís Antônio) e o Palácio das Convenções do Anhembi (na Avenida Olavo Fontoura, em Santana, na Zona Norte). O Pátio Victor Malzoni, com duas torres espelhadas, localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, fecha a lista das construções mais queridas. Essa última possui um grande vão central, incluído para garantir a preservação de uma casa bandeirista tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).
Nem tudo o que Franco calculou se tornou conhecido pela beleza, no entanto. Ícone da degradação do centro, o Edifício São Vito é um desses casos. “Ele ganhou o apelido de treme-treme logo que ficou pronto, em 1959. Eram apartamentos pequenos e baratos”, recorda- se. O prédio foi implodido em 2011, sob a promessa (não cumprida) de que o seu terreno se tornaria um espaço de lazer e cultura. Outra estrutura de Franco que pode ter o mesmo fim do São Vito é o contestado “tobogã” do Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. Ainda no campo esportivo, foi dele o projeto de engenharia para o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, na beira da Rodovia dos Imigrantes, na Zona Sul.
Além de planejar os prédios e estruturas verticais, Mario Franco atuou em projetos de grande impacto na vida do paulistano e que atualmente estão em evidência pelo lado negativo. Os viadutos Alcântara Machado e Bresser, na Zona Leste, passaram por sua prancheta nos anos 70. O segundo faz parte de uma lista da prefeitura de locais com grande risco de colapso e que deverão ter reformas emergenciais. “Nessa época, o concreto armado era tratado como material eterno”, diz. Ao longo dos anos, os especialistas perceberam que a durabilidade não era tão elástica assim e que o material não protege a estrutura de agentes corrosivos ao aço. “Não há erro de projeto, e o concreto de hoje garante muito mais a armadura. Agora a prefeitura vai ter de correr atrás e fazer as reformas”, afirma.
Nascido em Livorno, na Itália, em 14 de março de 1929, Mario Franco teve uma vida atribulada já na infância. De origem judia, ele foi obrigado a deixar o país natal com a família em 1939, às vésperas do início da II Guerra Mundial, por causa da perseguição imposta pelas leis raciais do regime fascista do ditador Benito Mussolini. Por aqui, adaptou-se facilmente, junto com sua irmã dois anos mais nova. Criado na Alameda Jaú, nos Jardins, foi aluno do prestigiado Colégio Dante Alighieri e logo se apaixonou pelo Corinthians e também pela engenharia, formando-se em 1951 pela Escola Politécnica da USP.
Assim que recebeu o diploma, Franco se juntou ao colega Julio Kassoy (morto em 2016, aos 93 anos) e abriu um escritório no centro. “Era uma região nobre, com bons cafés e livrarias. Tenho excelentes lembranças do velho centrão, mais humano que o da atualidade”, recorda. Outra lembrança nostálgica do engenheiro também enfrenta um longo processo de degradação. Nos anos 50, enquanto começava a arrumar a vida profissional, descobriu no Guarujá um ponto de refúgio e de prática de caça submarina. Daí surgiu uma nova paixão: o iatismo. Entre uma velejada e outra, fez uma casa na Praia da Enseada. “Era comum ver veados saltar na frente do carro. A cidade era misteriosa, com poucas casas e quase nenhum acesso.” Com a construção da antiga Rodovia Piaçaguera-Guarujá, o sossego foi embora, mas a prosperidade chegou. A partir dos anos 70, os empreendimentos dos quais participou como calculista ajudaram a transformar o município do Guarujá em um dos mais badalados do litoral. “Por causa da idade não consigo velejar e sinto saudade do mar”, diz ele, que é casado pela segunda vez e tem cinco filhos e quatro netos. Para compensar a falta de contato com a natureza, Franco passa o tempo fotografando passarinhos que tomam banho nas sacadas de seu confortável sobrado, localizado no bairro de Perdizes, na Zona Oeste paulistana. Calculado, é claro, por ele mesmo.
Hoje, aos 90 anos, o professor aposentado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) tem os seus “filhos” preferidos. Nessa seleta relação estão o Centro Empresarial Nações Unidas (na Marginal Pinheiros), o Hotel Unique (na Avenida Brigadeiro Luís Antônio) e o Palácio das Convenções do Anhembi (na Avenida Olavo Fontoura, em Santana, na Zona Norte). O Pátio Victor Malzoni, com duas torres espelhadas, localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, fecha a lista das construções mais queridas. Essa última possui um grande vão central, incluído para garantir a preservação de uma casa bandeirista tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).
Nem tudo o que Franco calculou se tornou conhecido pela beleza, no entanto. Ícone da degradação do centro, o Edifício São Vito é um desses casos. “Ele ganhou o apelido de treme-treme logo que ficou pronto, em 1959. Eram apartamentos pequenos e baratos”, recorda- se. O prédio foi implodido em 2011, sob a promessa (não cumprida) de que o seu terreno se tornaria um espaço de lazer e cultura. Outra estrutura de Franco que pode ter o mesmo fim do São Vito é o contestado “tobogã” do Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. Ainda no campo esportivo, foi dele o projeto de engenharia para o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, na beira da Rodovia dos Imigrantes, na Zona Sul.
Além de planejar os prédios e estruturas verticais, Mario Franco atuou em projetos de grande impacto na vida do paulistano e que atualmente estão em evidência pelo lado negativo. Os viadutos Alcântara Machado e Bresser, na Zona Leste, passaram por sua prancheta nos anos 70. O segundo faz parte de uma lista da prefeitura de locais com grande risco de colapso e que deverão ter reformas emergenciais. “Nessa época, o concreto armado era tratado como material eterno”, diz. Ao longo dos anos, os especialistas perceberam que a durabilidade não era tão elástica assim e que o material não protege a estrutura de agentes corrosivos ao aço. “Não há erro de projeto, e o concreto de hoje garante muito mais a armadura. Agora a prefeitura vai ter de correr atrás e fazer as reformas”, afirma.
Nascido em Livorno, na Itália, em 14 de março de 1929, Mario Franco teve uma vida atribulada já na infância. De origem judia, ele foi obrigado a deixar o país natal com a família em 1939, às vésperas do início da II Guerra Mundial, por causa da perseguição imposta pelas leis raciais do regime fascista do ditador Benito Mussolini. Por aqui, adaptou-se facilmente, junto com sua irmã dois anos mais nova. Criado na Alameda Jaú, nos Jardins, foi aluno do prestigiado Colégio Dante Alighieri e logo se apaixonou pelo Corinthians e também pela engenharia, formando-se em 1951 pela Escola Politécnica da USP.
Assim que recebeu o diploma, Franco se juntou ao colega Julio Kassoy (morto em 2016, aos 93 anos) e abriu um escritório no centro. “Era uma região nobre, com bons cafés e livrarias. Tenho excelentes lembranças do velho centrão, mais humano que o da atualidade”, recorda. Outra lembrança nostálgica do engenheiro também enfrenta um longo processo de degradação. Nos anos 50, enquanto começava a arrumar a vida profissional, descobriu no Guarujá um ponto de refúgio e de prática de caça submarina. Daí surgiu uma nova paixão: o iatismo. Entre uma velejada e outra, fez uma casa na Praia da Enseada. “Era comum ver veados saltar na frente do carro. A cidade era misteriosa, com poucas casas e quase nenhum acesso.” Com a construção da antiga Rodovia Piaçaguera-Guarujá, o sossego foi embora, mas a prosperidade chegou. A partir dos anos 70, os empreendimentos dos quais participou como calculista ajudaram a transformar o município do Guarujá em um dos mais badalados do litoral. “Por causa da idade não consigo velejar e sinto saudade do mar”, diz ele, que é casado pela segunda vez e tem cinco filhos e quatro netos. Para compensar a falta de contato com a natureza, Franco passa o tempo fotografando passarinhos que tomam banho nas sacadas de seu confortável sobrado, localizado no bairro de Perdizes, na Zona Oeste paulistana. Calculado, é claro, por ele mesmo.









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